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Agentes da HIDRA: 4.18 – O Sentinela da Liberdade!

- – Apesar de ser um episódio de transição, o mais novo capítulo de Agentes da S.H.I.E.L.D. não poupa sofrimentos para os fãs!

Por Gustavo Fiaux → E finalmente estamos chegando na reta final da quarta temporada de Agentes da S.H.I.E.L.D.. O novo arco, Agents of HYDRA continua intenso, mas o episódio da semana, intitulado “No Regrets” (“Sem arrependimentos”), serviu para criar pontes com o que já aconteceu e o desfecho da temporada. E apesar de uma trama corrida e com problemas de direção, tivemos aqui uma montanha russa emocional, com direito a uma das baixas mais dramáticas e arrebatadoras da série.

O episódio começa logo depois dos eventos do anterior. Simmons ainda está lidando com o fato de que Fitz matou uma pessoa inocente no Framework. Daisy ainda está sendo torturada, quando descobre que o habitante da cela ao lado é ninguém menos que o Dr. Radcliffe.

Na base da S.H.I.E.L.D., Mack tem se provado uma adição valiosa à equipe, enquanto o Patriota e Ward finalmente descobrem a verdade sobre o mundo virtual onde vivem. Eles logo partem em uma missão junto a Coulson para resgatar um amigo de Mace com valiosas informações. A HIDRA é informada sobre a invasão e a Agente May é designada para encontrar e eliminar o Patriota.

E essa é a trama básica do episódio, que acaba funcionando mais como um capítulo de transição do que um espetáculo à parte, como estavam sendo os episódios anteriores do arco. Mas isso não é um problema, porque apesar de não ajudar a movimentar a trama, de modo geral, a narrativa contribui para vários momentos emocionantes e impactantes.

Antes de mais nada, é válido lembrar que AIDA, ou a Madame Hidra, como é conhecida aqui, é uma personagem realmente complexa e cheia de nuances. A vilã tem passado por um grande processo de humanização, e é possível ver isso em detalhes dos diálogos e ações da personagem, seja um diálogo trêmulo com Daisy ou um olhar triste ao final do episódio. É curioso, nesse caso, notar o como a série consegue transformar um ser robótico e mecanizado em uma personagem lutando pelo direito à vida.

E é isso que não a torna uma vilã integral, como por exemplo era o Hive na temporada anterior. Apesar de seus planos malignos, ela genuinamente acredita estar fazendo o bem para todos, e é por isso que o Framework – seguindo a lógica da Dinastia M nos quadrinhos – é um lugar onde todos perderam seus principais arrependimentos e vivem “felizes”.

A principal reflexão dessa ideia é Fitz. Durante muito tempo, observamos a ausência implícita de seu pai e o que isso simboliza para seu caráter. Aqui, o pai de Fitz se faz presente, e é um dos principais motivos pelos quais o Doutor Supremo da HIDRA é uma péssima pessoa. Contudo, ele já está demonstrando algumas rachaduras em sua nova personalidade. Eu particularmente não dou nem dois episódios para que ele possa voltar a se lembrar de sua vida fora do Framework.

A grande virada de personagem do episódio fica por conta da Agente May. Embora já estivesse se tornando uma das líderes mais odiadas e perigosas da HIDRA, vemos que ela ainda preserva sua moral intacta no fundo, já que não foi capaz de matar crianças, e portanto ajudou os heróis da S.H.I.E.L.D. a resgatarem os meninos e meninas sequestrados pela HIDRA. E claro, ela é quem garantirá que os poderes inumanos de Daisy floresçam nesse mundo.

Mas a emoção do episódio recai sobre Jeffrey Mace, o Patriota. Aqui, o herói e líder da S.H.I.E.L.D. se prova o verdadeiro Sentinela da Liberdade do Framework, contrariando um pouco de sua “falsa” vida no universo “real”. Ao descobrir a verdade sobre a realidade virtual, ele questiona Simmons se tudo que ele tem feito não tem sido real e valido a pena, e essa é uma questão muito válida para a série em si.

Afinal de contas, AIDA, por não ser humana, é menos real que um ser humano? Ou então o Framework, por ser uma realidade virtual, deixa de ser menos real que o mundo “real”? Qual é a distância que separa o que é falso e o que é real? São questionamentos que já foram explorados em outros quadrinhos da Marvel, como Vingadores IA e algumas histórias próprias do Ultron, mas que ainda assim, são transferidas com exatidão para a série.

E isso, é claro, leva ao final dramático do episódio. Aqui, diferente do mundo “real”, onde tudo não passou de um acidente em Viena, o Patriota salva uma criança de um prédio desabando. E apesar de usar toda sua força no processo, não consegue evitar sua própria morte, uma vez que o edifício o esmaga. E as regras já tinham sido claras: se você morre no Framework, morre no mundo real.

É esse sacrifício que torna Mace um verdadeiro herói. E tudo pesa ainda mais quando notamos que é um acidente similar ao que o fez se tornar uma grande farsa para a S.H.I.E.L.D. fora da realidade virtual. Ainda assim, ele foi depois de ter conseguido provar seu valor enquanto um herói e um salvador. E nós estamos de coração partido por termos que nos despedir do Patriota.

Por fim, o episódio também apresenta outro momento emocionante: no Framework, Trip está vivo (não apenas isso, mas ele também é o amigo com informações secretas sobre a HIDRA). E apesar de sua participação ter sido importante para o episódio, confesso que fiquei decepcionado com a forma pela qual isso foi implementada. É interessante ver Coulson se lembrando do apelido do agente, mas é muito surreal a falta de surpresa de Simmons ao reencontrar o aliado falecido. Esperamos que ao menos Daisy tenha um momento de genuína surpresa ao reencontrá-lo, já que ela testemunhou sua morte.

Aliás, esse é um problema da direção do episódio, que pareceu um pouco desleixada. Não tenho certeza se o problema foi a falta de tempo ou descuido do diretor, até porque Eric Laneuville é um diretor bom nas outras séries que já participou – que incluem Legends of Tomorrow e Heroes. Contudo, aqui temos um trabalho um tanto quanto mal-finalizado.

E, para manter o costume, listamos alguns dos easter-eggs e referências do episódio – embora tenhamos tido poucos dessa vez.

  •  Lincoln é mencionado novamente, dessa vez pela Madame Hidra como uma chantagem emocional para Daisy.
  •  Daniel Whitehall é brevemente visto no episódio, em um livro didático. Depois, vemos que seus métodos de lavagem cerebral estão sendo utilizados em crianças, para transformá-las em servos fieis da HIDRA.
  •  A fórmula utilizada para dar super-força à Agente May é a mesma que Calvin Zabo, ou Mr. Hyde, o pai de Daisy, utiliza na segunda temporada da série.
  •  Aqui, não apesar Trip retorna, mas o herói também faz uma referência ao seu avô, que era membro do Comando Selvagem na Segunda Guerra Mundial.

No final das contas, Agentes da S.H.I.E.L.D., mesmo em um episódio menos relevante, está conseguindo manter sua audiência fidelizada pela forma como conta sua história. Ainda restam quatro episódios para o final da temporada, e acredito que muitas surpresas ainda esperam nessa curta estrada.

 Abaixo, fique com as imagens do próximo episódio da série, “All the Madame’s Men“:

Agentes da S.H.I.E.L.D. vai ao ar às terças-feiras, na ABC. Não perca nossa review semanal da série, às quintas-feiras!

Agora que a notícia acabou, aproveita para conferir o vídeo mais novo no nosso canal!

sobre o autor Gustavo Fiaux
  1. Cineasta (em formação). "Meu nome é Ozymandias, rei dos reis: Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!" @gus_fiaux