10 coisas que você talvez não saiba sobre a Morte, de Sandman!

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10 coisas que você talvez não saiba sobre a Morte, de Sandman!

Por Márcio Jangarélli

No dia em que guardamos para aqueles que se foram, é interessante lembrar também daquela que faz a travessia das almas para o outro lado.

A DC Comics possui vários espectros da Morte em suas histórias. Mas existe um ser magnânimo no controle do tempo dos mortais no cânone da editora e ela não é nada parecida com o que estamos acostumados. A Morte, irmã do Sandman, dos sete Perpétuos, é uma das encarnações mais peculiares do ceifador e é sobre ela o papo de hoje.

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Irmã mais velha;

Das histórias do Sandman, portanto, uma criação de Neil Gaiman, a Morte é uma das Perpétuas mais velhas, ficando atrás apenas do Destino. E, na ordem de “nascença”, ela é a irmã mais velha do Sonho, assim, também é a mais próxima dele, junto da Delírio, que é a caçula de todos.

Sobre sua criação, a própria diz uma vez que, "Quando o primeiro ser vivo surgiu, eu estava lá, esperando. Quando o último ser vivo morrer, meu trabalho estará finalizado.” Ela nasce depois do Destino porque, antes de algo chegar ao fim, ele precisa ter uma história. Não significa, no entanto, que o Destino seja maior ou mais poderoso que a Morte.

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O fim de tudo;

Isso porque fica entendido que, no final, ela terá que enterrar até mesmo seus irmãos antes de dar seu trabalho como completo. Algumas vezes na história, é dito que a Morte é quem vai “apagar as luzes e trancar a porta do universo depois de sair”, deixando claro que ela está encarregada de pôr um ponto final em toda a Criação.

Aliás, temos a chance de quase ver isso acontecendo, mas não em Sandman. Em "Os Livros da Magia", uma outra HQ aclamada do autor, publicada pela Vertigo, o Timothy, protagonista da trama, acaba sendo levado até o fim dos tempos, onde a Morte está ajeitando as coisas para encerrar seu turno.

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Duas visitas;

Também, ela não é “apenas” a personificação do fim da vida, mas atua como guia na transição das almas do plano físico para os seus reinos - que nunca chegamos a conhecer nos quadrinhos, algo bem poético. Vemos ela trabalhando várias e várias vezes em Sandman, com os mais diversos tipos de pessoas, até mesmo com ex-super-heróis. E sempre existe uma certa gentileza e familiaridade entre ela e as almas que estão sendo levadas.

Algo interessante, revelado para os leitores pelo Destruição, que reforça nossos laços com a Perpétua, é que a Morte não faz somente uma visita para os seres vivos, mas duas. De acordo com a história, ela está com cada ser vivo no momento em que ele nasce, mas apenas ela se lembra disso.

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Nem sempre foi alto astral;

Uma característica que distingue essa versão da Morte de outros tantos ceifadores por aí, além de todo o lance da personificação e da amplitude dos poderes, é que, no geral, ela nem se parece ou age como uma “Morte comum”. Ela é alto astral! Fofinha. Tem um visual meio gótico, meio punk, sempre preto, combinando com o Sandman. O Sonho lembra mais um ceifador que ela.

Porém, ela nem sempre foi assim. Não que ela seja uma nova Perpétua, como a Desespero, ou tenha sofrido uma transformação, como a Delírio. Mas, durante a trama, algumas coisas indicam que, há muito, muito tempo, ela agia de maneira diferente, mais sombria e parecida com um ceifador clássico - isso até ela sentir na pele o verdadeiro valor da vida.

Essa personalidade diferente da Morte é confirmada na história do Sonho da HQ “Noites Sem Fim”. Nela, os Perpétuos participam de uma conferência com personificações das estrelas do universo, há muito, muito, muito tempo, e a Morte se mostra desesperançosa, amarga, um tanto vazia, um completo oposto do que ela é na história atual.

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O alto preço da vida;

Isso muda quando a Morte passa a entender o valor da vida. Mas como isso acontece? É aí que surge uma das únicas regras que conhecemos que a Perpétua segue - e só segue por vontade própria - onde uma vez a cada século, ela vive um dia todo como uma mortal, finalizando o ato com sua morte. Apenas vivendo e morrendo como um mortal, a Morte pode entender o valor da vida que ela toma.

Vale nota que essa regra gerou uma das melhores histórias do universo de Sandman, que é o spin-off da Morte, “Morte: O Alto Preço da Vida”. É uma trama bem fechada e até quem não conhece as aventuras do Senhor dos Sonhos pode ler tranquilamente. Simplesmente tocante e linda.

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Perpétua e ilimitada;

Com tudo isso dito, não deve ser surpresa a afirmação à seguir: a Morte não só é a Perpétua mais poderosa dos sete, mas é, provavelmente, o ser mais poderoso do universo - com exceção dos seus pais (eles são um caso à parte).

Considerando todas as suas participações na história, ela é onisciente, onipresente e onipotente. A Thessaly diz, em certo ponto, que a Morte é o único ser que não é preso por nenhuma regra. As Fúrias, que enfrentam qualquer um dos Perpétuos, foram espantadas por ela, ainda que, se levarmos em conta que elas cobram pecados de sangue, a Morte está com as mãos sujas. Mais ainda: é mencionado que ela pode ser a única a continuar existindo depois que essa versão da Criação for encerrada.

Um ponto interessante aqui é que, no começo das histórias de Sandman, o Burgess tenta aprisionar a Morte, não o Sonho - algo que nunca iria acontecer.

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De onde veio o visual?

Várias teorias rondam a criação do visual da Morte, mas existe sim uma inspiração oficial. O design da Perpétua, a primeiro momento, seria baseado na cantora Nico, mas o ilustrador Mike Dringenberg tinha uma concepção diferente de como a Morte poderia parecer.

Assim, a versão final da Morte é inspirada em uma amiga de Dringenberg, Cinnamon Hadley. Já as roupas góticas e o Ankh, que se tornou a marca da personagem, surgiram no mesmo dia, vindo de outra inspiração: uma garçonete que Gaiman viu usando esses modelos e que se parecia muito com os desenhos que tinha acabado de receber de Dringenberg. Destino? Opa, esse é outro personagem...

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As várias faces da Morte;

Mas aí existe um porém: a Morte dos Perpétuos faz parte da DC Comics e Sandman está integrado no cânone dos heróis da editora. E, mesmo que vocês não conheçam tanto dos quadrinhos DC assim, já devem ter ouvido falar de uma ou outra versão da Morte ali que não é essa Morte.

Na verdade, a DC possui mesmo vários espectros da Morte que acabam servindo para finalidades bem específicas. O próprio Sonho tem infinitas versões de si mesmo, como vemos ao longo de suas aventuras, mas principalmente em Overture. No caso, os avatares da Morte não são como os do Morfeu, que carregam suas características.

Alguns exemplos são o Nekron, que meio que é a personificação da Morte para o cânone dos Lanternas - não é exatamente isso, mas é a melhor forma de simplificar - ou o Flash Negro, que é a Morte dos Velocistas, e o Corredor Negro, que é a Morte dos Novos Deuses.

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Turbulências;

O problema é que os Perpétuos e Sandman, ainda que façam parte da DC Comics, possuem uma relação de direitos muito rígida com o Neil Gaiman. E, quando esses personagens foram criados, eles estavam no topo de tudo e de todos, uma história que transcende esses espectros e qualquer coisa do mundo dos super-heróis e suas crises.

Assim, a Morte dos Perpétuos é a verdadeira Morte, de onde derivam versões e não uma versão. Como dito lá atrás, ela é o ser mais poderoso do universo, guia almas para seu reino, tem poder até mesmo sobre seus irmãos e é a responsável por fechar o Universo.

Mas, em Captain Atom #42, sem o consentimento do Gaiman, a Morte foi colocada na história junto do Nekron e do Corredor Negro como seres “iguais”, contradizendo a história original.

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Morte definitiva da DC;

No fim, a Morte dos Perpétuos, irmã mais velha do Sonho, do Destruição, da Desejo, da Desespero e da Delírio, irmã mais nova do Destino, guia de todas as almas do universo para o seu reino desconhecido, é a Morte definitiva do universo DC.

Se tem algo que vocês podem ter certeza - e que pode até ser reconfortante em algum momento - é que se o seu herói favorito cair em algum momento, ele será bem recebido do outro lado. É o que esperamos para nós mesmos e para quem amamos também, não? Enfrentar o desconhecido com alguém tão bacana quanto ela?

Quem sabe a moça das roupas pretas, do ankh prateado e que carrega um sorrisão no rosto não seja mesmo aquela que já nos conhece e nos espera no desconhecido?