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O mundo gótico e sombrio de Penny Dreadful!

- – Uma série que merece ser assistida!

Por Gus Fiaux → Recentemente, o Showtime resolveu dar um baita presente aos fãs de horror e de literatura gótica: foi anunciada a continuação de Penny Dreadful, que se chamará City of Angels. A notícia veio um pouco mais de dois anos após o encerramento da série original, em sua terceira temporada.

Mesmo que não tivesse uma audiência recordista, Penny Dreadful estabeleceu uma base leal e significativa de fãs. A série começou a ser exibida em maio de 2014, rendendo um grande arco de histórias focado na personagem Vanessa Ives, brilhantemente interpretada por Eva Green. Seu cancelamento foi extremamente abrupto, deixando muitos seguidores com saudade.

Mas afinal, o que era Penny Dreadful?

Um elenco de peso

Imagine uma história que reunisse os grandes clássicos da literatura de horror: Drácula, Frankenstein, O Retrato de Dorian Gray, O Médico e o Monstro e vários outros títulos excepcionais que deram origem ao nosso conceito moderno de terror. Junte isso na atmosfera da Londres vitoriana, com atores magníficos como Timothy Dalton, Eva Green e Billie Piper.

A série foi criada por John Logan, roteirista de filmes como Gladiador, O Aviador e A Invenção de Hugo Cabret. Além dele, Sam Mendes assumiu como produtor executivo, ajudando a compor um pouco da história – sim, o mesmo Sam Mendes que foi responsável por Beleza Americana e 007: Operação Skyfall.

Pai e filho: Victor Frankenstein e sua Criatura

A trama segue diversos personagens desses livros clássicos mencionados. Temos Victor Frankenstein, bem como sua Criatura. Temos Mina Harker. O próprio Dorian Gray, em pessoa, além de personagens originais. No meio disso tudo, brilha Vanessa Ives, como dito anteriormente. Essa mulher etérea e esotérica embarca em uma luta pela soberania da luz contra as trevas, enfrentando Drácula e o próprio Lúcifer.

Com suas três temporadas, a série foi uma das mais premiadas da história do Showtime. Com indicações a troféus famosos, como o Globo de Ouro e o BAFTA, a série se estabeleceu como uma das produções mais “cinematográficas” do canal, devido à sua qualidade técnica impressionante.

O clima de terror, no entanto, é o que impera. E isso vem desde o título. Para quem não sabe, “Penny Dreadful” era o nome das populares noveletas vendidas em bancas de jornais. Elas eram mal vistas pela “sociedade literária”, contando contos de horror e ficção científicas. Posteriormente, o mundo passou a reconhecer seu valor, já que foi daí que surgiram nomes como Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft.

Assim sendo, a série não economiza na hora de criar uma atmosfera tensa, mas em vez de apelar para sustos baratos, é muito mais focada em seu clima gótico – que transpira de todos os poros, desde a arquitetura dos cenários ao desenvolvimento sombrio dos personagens, que sempre estão divididos entre luz e trevas.

Além disso, é uma série pioneira no horror televisivo. Embora American Horror Story tenha aberto as portas para o gênero na TV contemporânea, foi Penny Dreadful que apostou na ideia de um horror mais “sofisticado”, que posteriormente deu base para séries elogiadas, como Channel Zero e a recente A Maldição da Residência Hill.

O foco sempre esteve no drama e nos dilemas desses personagens. Dessa forma, figuras conhecidas ganham novas facetas que não haviam sido reveladas, seja nas obras literárias ou nas adaptações delas. Por exemplo, vemos um lado bem mais humanizado do Monstro de Frankenstein, enquanto seu criador, apesar de carismático, ganha uma tonalidade mais horrenda.

Entre demônios, bruxas e vampiros

O mesmo pode ser dito sobre Drácula. O vilão aparece apenas na terceira temporada, mas ganha uma mitologa própria, que infelizmente não foi muito bem explorada devido à pressa do encerramento. Aqui, descobrimos que o vampiro possui uma ligação íntima com o Lúcifer, o diabo em pessoa.

Mas o que realmente interessa é a relação e a interação entre esses personagens. Se você é fã da Liga Extraordinária de Alan Moore, a série é perfeita para você, pois também explora muito da intertextualidade dos seus personagens. É incrível, por exemplo, ver o efeito que Dorian Gray tem sobre várias pessoas, ainda mais inserido no contexto da Inglaterra da Era Vitoriana.

Sabemos, no entanto, que a nova série vai ser bem diferente da original. Tudo começa pelo contexto histórico: Los Angeles, no ano de 1938. Aqui, veremos um aprofundamento na cultura e na tensão política e social da época, especialmente considerando a herança mexicana da cidade.

Ainda assim, podemos já começar a especular sobre várias ligações com a literatura de horror americana – Lovecraft e Poe mandam um abraço, novamente. Mas isso tudo é assunto para outra hora.

De qualquer forma, Penny Dreadful é uma série que merece ser vista e analisada por qualquer amante do horror. É uma jornada escura, sinistra e assustadora, que mergulha nos confins mais sombrios da psiquê humana. É também uma jornada de redenção, nos lembrando que é sempre mais escuro antes do amanhecer.

Então, nós caminhamos sozinhos.

 

Na galeria abaixo, fique com pôsteres e cartazes da série:

Penny Dreadful: City of Angels ainda não tem data para estrear.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Pernambuco. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux