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[CRÍTICA] Ad Astra: Rumo às Estrelas – Por caminhos ásperos se alcança os astros!

- – Brad Pitt explora o espaço nesse novo lançamento!

Por Evandro Lira Chega aos cinemas nesta semana Ad Astra: Rumo às Estrelas, novo filme de ficção científica estrelado por Brad Pitt. Co-escrito e dirigido por James Gray, o longa que estreou no Festival de Veneza no mês passado, coloca Pitt num traje de astronauta e o manda ao espaço numa missão essencial para salvar a humanidade de uma catástrofe.

Confira tudo o que achamos do filme rolando para baixo!

Ficha Técnica

Título: Ad Astra – Rumo às Estrelas

Direção: James Gray

Roteiro: James Gray e Ethan Gross

Ano: 2019

Data de lançamento: 26 de setembro (Brasil)

Duração: 2h3m

Sinopse: Roy McBride (Brad Pitt) é um engenheiro espacial, portador de um leve grau de autismo, que decide empreender a maior jornada de sua vida: viajar para o espaço, cruzar a galáxia e tentar descobrir o que aconteceu com seu pai, um astronauta que se perdeu há vinte anos atrás no caminho para Netuno.

Na última década, fomos presenteados com uma leva inesquecível de filmes de ficção científica. Obras como Gravidade, Interestelar e A Chegada trouxeram para as telonas histórias universais que apresentavam elementos da imensidão espacial como mote para abarcar temas bastante humanos. E para encerrar os anos 2010 com chave de ouro, podemos apreciar o novo filme de James Gray, que facilmente entra para esse grupo com uma bela posição de destaque.

Ad Astra nos convida a embarcar num mundo onde é possível viajar rumo às estrelas, onde famílias optam por passar suas férias na lua e onde seres humanos podem nascer em Marte e nunca pisar na Terra. Porém tudo isso serve apenas como uma desculpa para que Gray explore a psique de um homem melancólico e fadado a viver sob o legado do pai.

Aqui, nada mais importa senão Roy McBride, o protagonista vivido com excelência por Brad Pitt. O longa se propõe desde o início a ser uma profunda investigação desse personagem, onde o roteiro busca explorar toda sua jornada emocional que funciona como um tipo de reconciliação do homem com ele mesmo.

Na trama, o personagem é um astronauta e filho de um dos maiores nomes da exploração espacial, responsável por comandar uma expedição até Netuno vários anos atrás. E é só quando Roy descobre que seu pai pode estar vivo, que ele encontra a oportunidade que jamais achou que precisava: a de ressignficar sua vida frente à sombra deixada por aquela figura paterna. Diante disso, ele embarca no infinito espacial a fim de encontrar o pai.

Tudo isso se organiza lado a lado ao contexto fantasioso permitido pela ficção científica. A missão a nível familiar designada a Roy não é pura e simplesmente por acaso, o longa faz questão de justificar cuidadosamente – e ele tem sucesso em não confundir o espectador com muitas explicações – as razões práticas por trás de toda as atitudes e ações da história.

A SPACECOM (que seria uma espécie de NASA?) acredita que a fonte das rajadas elétricas que tem se espalhado por todo o universo, matando dezenas de milhares de pessoas, é exatamente onde está localizada a nave do Sr. McBride. Sendo assim, Roy concorda em ir até Marte enviar uma mensagem ao pai para tentar pará-lo.

Apesar de se concentrar boa parte do tempo na personalidade fechada e repleta de conflitos internos de Roy, a obra surpreende quando decide nos entregar cenas de suspense e ação. É de garantia que em pelo menos três vezes você vai se pegar prendendo a respiração durante a sessão.

O quão sensacional e repleta de adrenalina é a cena em que assistimos a uma perseguição envolvendo piratas na superfície lunar? E o que dizer do momento horripilante em que uma figura improvável aparece como o inimigo dentro de uma nave? Estes são ótimos exemplos que comprovam o trabalho impecável da direção de James Gray.

O visual de Ad Astra é relativamente contido, mas também inegavelmente deslumbrante. A fotografia de Hoyte von Hoytema é responsável por alguns dos momentos mais belos do filme, seja quando percorremos o escarlate vivo de Marte, observamos a imensidão de Júpiter ou chegamos bem perto dos anéis de Netuno. É fascinante ver tudo isso de uma perspectiva nova e profundamente realista.

Recheado de estrelas que fazem pequenas aparições ao longo do filme, Ad Astra só tem olhos mesmo para Brad Pitt. O ator está em perfeita forma aqui, entregando uma atuação apegada aos detalhes, ao silêncio e as pausas. Pitt encarna com precisão a fragilidade mascarada de Roy, trazendo para frente das câmeras um sentimento palpável de introspecção e de busca por autoconhecimento.

James Gray deixa o espectador consciente de que aquele homem refletido através da imagem de Pitt carrega o pesado papel do herói americano, mas a cada minuto de filme, Roy vai sendo desconstruído de algumas certezas e traçando um novo e esperançoso destino para si mesmo.

Todo o trabalho de estudo de personagem feito por Gray é admirável, e tamanha é a investigação do cineasta por sobre este universo que é provável que você saia um pouco cansado da sessão. Ainda que o filme tenha um tempo de duração médio de duas horas, ele aparenta ser mais longo.

De qualquer forma, Ad Astra se mostra uma obra que não nos deixa quando saímos da sala do cinema. Emocionante e etéreo como não poderia deixar de ser um filme espacial de James Gray, nome por trás de Z: A Cidade Perdida e Era Uma Vez em Nova York, o filme nos convida a junto com seu protagonista, ir aonde ninguém foi e descobrir que chegar lá pode ser tão glorioso quanto vazio.

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sobre o autor Evandro Lira

Bacharel em Cinema e Audiovisual, potterhead das antiga, filho dos filhos do átomo, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira