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[CRÍTICA] The Surge 2 – Muita comparação com Dark Souls, mas o game é bom por si só?

- – O “Dark Souls cyberpunk“, The Surge, ganhou uma sequência! Vale à pena investir no game mesmo com a comparação óbvia com as produções FromSoftware?

FICHA TÉCNICA

 

Desenvolvedor: Deck13

Distribuidor: Focus Home Interactive

Gênero: RPG de ação

Plataformas: PS4, XOne, PC

Jogamos no: PS4

Data de lançamento: 24 de setembro de 2019

 

Um super obrigado para a Focus Home pela cópia do game para review na LH!

Por Márcio Jangarélli →  

Dark Souls. Bloodborne. Sekiro.

Só pelos títulos, se algum dia você se aventurou por esses universos da FromSoftware, as lembranças agridoces já tomam sua mente. Seja aquela vitória épica contra o Demônio do Rancor, sejam as incontáveis mortes e o ódio absurdo pela Rom, esses são jogos que te marcam com fogo, sangue, suor, desespero e glória. Você sai deles lembrando o nome e estilo de cada boss e inimigo – até mais que a própria história.

Esse não é o caso do primeiro The Surgetambém não deve ser o da sequência, mas não é exatamente algo ruim.

Se você não conhece, The Surge é um game vindo desse subgênero masterizado pela FromSoftware de quase um “no pain, no gain” no mundo virtual. Lançado em Maio de 2017, o jogo se passa em um futuro cyberpunk, que mistura tecnologia, humanidade e divindade. É uma premissa bem interessante e, de todos os “soulslike” mais aparentes, esse deve ser o mais legal.

Uma produção da Deck13, que tem outro soulslike no currículo (Lords of The Fallen) – não tão interessante quanto, devo dizer – The Surge recebeu uma sequência agorinha, em 24 Setembro, reforçando que o primeiro jogo se deu muito bem. E como é de se esperar de uma sequência, o segundo game da franquia melhora tudo o que foi apresentado anteriormente e até deixa a aventura mais original.

Na verdade, se você não jogou o original, até recomendo começar direto pelo segundo game. A movimentação, os gráficos, o desempenho, a inteligência artificial dos boss e dos inimigos e até a história são melhores. É uma sequência feita da maneira certa.

E vou confessar uma coisa aqui, mas fica entre a gente hein: The Surge 2 pode até ser mais divertido em curto prazo que Dark Souls. Curto prazo. Veja bem, os games soulsborne trabalham em uma relação diferente com o player, com a ideia de conquista através do aperfeiçoamento. Algo que nem todo mundo consegue gostar – e está tudo bem. The Surge 2, porém, não é mais ou menos difícil, mas possui alguns sistemas que te recompensam mais rapidamente ou que geram sensações mais rápidas.

Por exemplo, uma das coisas que eu acho mais divertidas no game é a criação dos sets de armadura. Um mais legal que o outro, você tem que fazer os inimigos derrubarem os moldes de cada peça literalmente decepando os membros deles. The Surge 2 possui um sistema de mira que permite acertar membros específicos, seguido de uma finalização opcional para cortar fora aquele braço, perna, etc, e te dar a chance de um loot direcionado. Legal né?

As armas e armaduras com certeza estão entre as melhores coisas do game. É uma arma mais legal que a outra e armaduras que te fazem passar de alguém no mundo de Mad Max pra um Power Ranger. Cada peça possui seu próprio grinding, o que talvez seja demais se você for montar vários sets específicos, além de você ainda usar implantes para melhorar suas skills – tudo limitado por uma barra de energia de núcleo. É um sistema inteligente, bem variado e que te deixa viajar bonito nesse universo futurista violento.

Outra coisa que faz brilhar o olho é esse mundo cyberpunk. Nada de tons medievais e góticos, aqui o negócio é lotado de neon e flare até onde consegue. Em certos momentos, parece que você está jogando um filme do J.J. Abrams de tanto flare e azul – e isso não é uma reclamação. É uma mudança de ares muito bem-vinda para o gênero e se você está hypado para Cyberpunk 2077, essa é a melhor maneira de dispersar um pouco de ansiedade.

O plot do game e a história não são dos mais profundos e inovadores, mas são um ponto positivo. Ainda mais porque o jogo te conta a própria história, nada de muitos mistérios escondidos em itens. Gosto dos dois sistemas, não me levem a mal, mas é legal ter uma história contada de maneira mais simples às vezes.

Resumindo um pouquinho, para você se situar: em The Surge 2, seu personagem é um dos sobreviventes de um acidente de avião na cidade futurista de Jericho. A cidade está em cerco militar para conter uma doença cibernética se espalhando na população. No meio disso, você vai encontrar um culto às máquinas e precisa entender o motivo de acordar na prisão, isolado, depois do acidente e onde foi parar a outra sobrevivente, uma menina com poderes misteriosos.

A história é legal e, ainda que não seja algo revolucionário, ajuda a solidificar esse universo que o game quer te vender. E o melhor do jogo mesmo é esse mundo, extremamente caótico, violento, quase apocalíptico, mas ao mesmo tempo brilhante, tecnológico e promissor. The Surge 2 consegue te fazer acreditar nesse mundo e nas motivações e maluquices dessas pessoas. E o maior acerto é ele não ser genérico ou te remeter exatamente a uma referência específica de primeira. Obviamente tem muito Blade Runner, Matrix, AI e Robocop, mas a mistureba sci-fi não se sobressai ao original da produção.

E se você é um fã soulsborne, o game te conquista já na jogabilidade. Tem muita coisa de Souls sim, mas The Surge consegue criar sua própria dinâmica. A esquiva é chave, como vocês devem imaginar, mas a fluidez do movimento é primorosa, sem contar que você pode adicionar um pulinho nessa escapada. Cada arma possui um sentimento diferente e deve agradar qualquer player – pessoalmente, as lâminas de duas mãos e as lanças são minhas queridinhas. Engraçado que, falando dessa forma, parece mesmo que você vai usar uma lança no futuro. Todas as armas são umas engenhocas com designs lindos, que lembram as clássicas, mas não sei bem se eu estou usando uma lâmina em algumas vezes, sabe?

Os movimentos, os ângulos, a mira, todos são executados de maneira excelente. Você não se cansa, é sempre um desafio e a morte aqui tem até menos impacto que nos souls, então você já volta correndo para a revanche. Seus pontos são deixados no local sim em caso de morte, mas The Surge aproveita a chance para incrementar algumas coisas bem legais, como o tempo para recuperar o que foi perdido ou o fato do item regenerar seu HP quando você estiver próximo da área. Isso dá margem para algumas estratégias suicidas interessantes, para quem for do estilo que não analisa, só se joga na batalha.

Nada é perfeito, né? Nem no futuro. The Surge 2 possui alguns probleminhas de FPS, a renderização de imagem em alguns momentos é bem fraca, os gráficos não são lá dos melhores e bugs que prendem seu personagem, afundam inimigos no concreto, te impedem de atravessar passagens – e por aí vai – existem pelo game todo. Algumas dessas coisas dá pra relevar, principalmente no sentido visual, por ser um estúdio pequeno. Outras não.

Ainda, os inimigos e boss do game não são lá muito memoráveis. Você não tem um Gyoubu Oniwa ou um Padre Gascoigne. Talvez o Little John, o primeiro boss de verdade do jogo, seja chamativo, mas usaram a imagem dele tanto na promoção que perdeu um pouco o impacto. Eles são super difíceis, requerem toda uma estratégia e vão sim te dar aquele sentimento de glória, mas falta carisma. Falta você fechar o game, lembrar o nome desses inimigos e pensar, orgulhoso, “essa foi uma batalha épica”.

Pra não terminar em uma nota ruim, o futuro é muito bom sonoramente. The Surge 2 entrega uma trilha tão casada com o universo criado que quando você percebe, está jogando no ritmo dela. Principalmente nos boss, quando a coisa toda explode de vez. A mistura de guitarras, sintetizadores e sofrimento nunca foi tão boa.

The Surge 2 é o melhor game do gênero que você vai jogar? Provavelmente não. Mas ainda é um ótimo jogo, que merece toda a atenção que conseguir. Traz uma mecânica excelente, um universo de encher os olhos, muito bem construído, e uma aventura digna de ser um dos melhores “souls” fora das produções FromSoftware.

O futuro de The Surge 2 leva, então, 4 estrelas futuristas de 5! Com muito metal e sintetizadores, meus amigos!

Se você está no hype para Cyberpunk 2077, Elden Ring e já dominou todos os outros games FromSoftware, essa será a sua melhor aventura no momento!

E aí, já jogou The Surge? E The Surge 2? O que acha dos games? Não esqueça de contar pra gente nos comentários 😉

The Surge 2 já está disponível para PS4, XOne e PC.

Imagens: Reprodução
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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor de Comunicação. Jornalista. Senhor dos Sonhos que não sonha. Madonna de Jakku.