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Desenterrando um clássico: O Grande Dragão Branco!

- – “Muito bom. Mas tijolo não revida!”

Por Raphael Martins → O ano era 1987. Jean-Claude Van Damme, um artista marcial e bailarino belga, está nos Estados Unidos já há algum tempo sonhando em alcançar o estrelato. Após conseguir o papel de vilão no filme Retroceder Nunca, Render-se Jamais, que não fez lá muito sucesso, o aspirante a astro de ação estava tentando de tudo, inclusive fazendo pontas como dublê em produções como Braddock: O Super Comando e O Predador.

Em uma manhã de terça-feira comum, ele fica sabendo que Menahem Golan, produtor de cinema e presidente da Cannon Films, conhecida por seus filmes com muita ação e pouco orçamento, estava almoçando perto de onde ele morava. O rapaz de então 27 anos vai apressadamente até lá, implorando por cinco minutos da atenção de Golan.

Ele o leva para fora do restaurante, olha em seus olhos e diz: “Olha o que eu sei fazer!”, executando em seguida uma série de chutes extremamente precisos, mostrando toda a sua flexibilidade e desenvoltura ao produtor. Pouco tempo depois, ele estrelava O Grande Dragão Branco, um filme que fez um sucesso muito inesperado, o catapultou ao tão sonhado estrelato e se tornou um clássico do cinema de ação.

O Grande Dragão Branco (Bloodsport, no original) conta a suposta história real do lutador Frank Dux, que vai até Hong Kong participar do Kumite, um torneio altamente secreto onde os maiores guerreiros do mundo se enfrentam em duelos sangrentos, por honra, glória, vaidade ou dinheiro.

Treinado desde criança pelo mestre Senzo Tanaka (Roy Chiao), Frank desenvolve suas habilidades rapidamente, se tornando uma espécie de herdeiro para o mestre após seu filho biológico morrer. Para honrá-lo no fim de sua vida, Frank foge de seus superiores do exército (entre eles um Forrest Whitaker antes da fama) e se dirige ao oriente para competir no lendário Kumite.

No caminho, encontra o também lutador Ray Jackson (Donald Gibb), que após perder para Dux em uma partida de Karate Champ, se torna seu amigo, e ambos tem o objetivo de se sagrarem campeões no torneio secreto.

Em seu caminho, está a montanha de músculos Chong Li (Bolo Yeung), um lutador sádico que sempre que pode, mata seus adversários como prova de sua irresistível força bruta. Daí pra frente, é só frases de efeito, clichês clássicos e porradaria da melhor qualidade, coisas que, combinadas, transformaram o filme em um clássico absoluto.

O Grande Dragão Branco se tornou um dos maiores sucesso da Cannon Films, arrecadando mais de $65 milhões, uma marca inédita até então nos cofres da produtora. O sucesso do filme também significou o sucesso do próprio Van Damme, que da noite para o dia, se tornou o maior astro de ação do momento.

É fácil entender por que o filme se tornou um clássico. Além das lutas violentíssimas, os personagens tinham um enorme apelo ao público, especialmente o vilão Chong Li, que com seu olhar maníaco e sua inesquecível frase de efeito, roubou a cena em vários momentos do longa.

Frank Dux, o lutador no qual o filme se inspirou para contar sua trama, participou da produção, dando detalhes de sua suposta história no Kumite e treinando Van Damme, a quem ele chamava de “exibicionista”, mas depois se tornaram amigos.

A história de Dux e sua própria habilidade como lutador, aliás, sempre foram questionadas por círculos de artes marciais desde o lançamento do filme, então não há como saber se o que é retratado no longa realmente aconteceu.

A trilha sonora do filme foi composta por Paul Hertzog em parceria com o cantor Stan Bush, tendo ambos criado a inesquecível música-tema do longa, “Fight To Survive”. É impossível ouvi-la e não ser transportado imediatamente para os anos 80, ou até sair por aí dando uns chutes aleatórios pela casa.

O sucesso do filme iniciou toda uma febre de filmes de luta na década de 80, quase todos seguindo a mesma cartilha de “herói participa de um torneio obscuro e secreto na ásia” que embalou O Grande Dragão Branco.

O longa inclusive teve uma enorme influência na criação do game Mortal Kombat, que a princípio seria uma adaptação direta do filme para os games, tendo Van Damme como o personagem principal.

Tendo tudo realmente acontecido ou não, sendo o Kumite real ou não, O Grande Dragão Branco sempre será um excelente filme de artes marciais, capaz de empolgar qualquer fã da insuperável ação oitentista, passe o tempo que passar. Sempre vale a pena ver de novo. Se puder, assista hoje!

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sobre o autor Raphael Martins

Já fui um pouco de tudo: apresentador de TV, repórter, roteirista e hoje sou redator nesse noblário site. Gosto de longas caminhadas na praia, HQs, games, tokusatsu, cinema e filé com fritas. Você pode trocar uma ideia comigo e me ver reclamar da vida no Twitter @aqueleraphael