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Lendas das artes marciais – Jackie Chan!

- – Dá porrada, encara o perigo e ainda faz a gente rir!

Por Raphael Martins Jackie Chan é um dos maiores nomes do cinema de ação ainda em atividade, e uma verdadeira lenda viva na China. Há várias décadas, o ator deixa totalmente embasbacado qualquer um que assista seus filmes, com suas coreografias de combate complexas, a maneira amalucada de lutar e a forma com ele se lança sem medo ao perigo, dispensando completamente o uso de dublês.

Além de sua grande habilidade, Chan também conquista o público pelo seu carisma, com filmes que nunca deixam o humor de lado, apesar de toda a porradaria que rola solta na tela. Assistir a um filme de Jackie Chan é certeza de diversão, e nem mesmo o rolar dos créditos finais faz com que ela acabe!

Jackie Chan: carisma, habilidade e muita alegria de viver

Jackie Chan nasceu em Hong Kong, em 1954. Vindo de uma família muito pobre, quase foi vendido pelos próprios pais para um rico casal de britânicos ainda bebê, o que felizmente não aconteceu. Já mostrava ser muito ativo desde criança, tão imparável que ganhou o apelido de “bala de canhão” por sua mãe. Passou seus primeiros anos com sua família como um refugiado da guerra civil chinesa na Austrália, mas tão logo a situação no país se assentou, voltaram para a China.

Aos sete anos, Chan deu primeiro passo para concretizar seu destino: foi matriculado na famosa Escola de Ópera de Pequim. Algo que, por um longo tempo, ele odiou, como revelou em uma de suas entrevistas. O treinamento era muito severo e por vezes até cruel, sendo obrigado a aprender a cantar, dançar e, é claro, lutar.

Mas ele acabou se revelando como um dos melhores alunos da escola, ganhando o direito de participar do grupo Seven Little Fortunes, que se apresentava publicamente em várias cidades. Foi neste grupo que ele conheceu Sammo Hung e Yuen Biao, hoje também muito famosos na China, amigos que ele levou para toda a vida e com quem fez vários filmes, como Detonando em Barcelona e Dragões para Sempre.

Eventualmente, Chan chamou a atenção de um produtor local, que o convidou para participar de vários filmes como dublê. Ele foi ganhando cada vez mais notoriedade, chegando até mesmo a contracenar com o lendário Bruce Lee em Operação Dragão, sendo “morto” por ele em uma cena.

Com cada vez mais destaque, ele começou a estrelar seus próprios filmes, ainda creditado como “Jacky Chan”. Mas só foi estourar mesmo em 1978, quando aos 24 anos de idade, protagonizou aquele que se tornaria um de seus filmes mais lembrados: Drunken Master (O Mestre Invencível no Brasil)

Nele, Jackie pode mostrar, além de sua habilidade no Kung Fu, seu dom natural para a comédia, na história do aprendiz rebelde de um mestre bêbado muito louco e com métodos de treinamento excruciantes, mas extremamente efetivos. Desde então, nunca mais parou.

Após Drunken Master, Jackie Chan se tornou uma estrela de primeira grandeza na China, participando de cada vez mais filmes. Anos depois, em 1985, protagonizou Police Story, que fez tanto sucesso que acabou se tornando uma duradoura cinessérie, que até o momento conta com sete filmes e vários derivados.

Foi em Police Story que Jackie mostrou pela primeira vez sua característica mais famosa, presente em quase todos os seus filmes: a total ausência de dublês por parte do ator. Sem medo nenhum, ele cai de alturas insanas, se envolve em todo tipo de ação perigosa e faz coisas que poderiam realmente matá-lo, não fosse seu treinamento e sua total concentração em cena.

Mas não foram poucas as vezes em que ele esteve à beira da morte. Jackie Chan já quebrou vários ossos por todo o seu corpo, e segundo ele, algumas dores ele carrega até hoje, como uma placa de metal e um buraco na cabeça ganhados após chocar seu crânio em uma pedra durante uma queda que deu muito errado.

Mas esse não é o único motivo de seu sucesso duradouro. Apesar de toda a violência dos combates, os filmes de Jackie Chan quase sempre são embalados por muito humor, como os longas da série Operação Condor, onde ele vive um caçador de tesouros tão habilidoso quanto engraçado.

Na explicação do próprio Chan, ele compunha seus personagens desta maneira justamente para se afastar do ar pesado e sério dos personagens de Bruce Lee e das cópias do ator que apareceram após sua morte. Fã de Buster Keaton e Fred Astaire desde criança, ele queria se diferenciar do resto através da comédia, e de fato, conseguiu fazer isso de forma espetacular.

Outra coisa que o torna diferente dos demais astros dos filmes de artes marciais e a maneira como ele conduz suas lutas, sempre fazendo uso do ambiente que o cerca. Qualquer coisa vira uma arma nas mãos de Jackie Chan. Televisores, geladeiras, vassouras e até uma escada já foram usados contra seus adversários nas telas.

Mas apesar da força de seus golpes, nunca há muito sangue ou consequências mais severas, uma das exigências do ator para manter seus filmes sempre leves, divertidos e apropriados para pessoas de todas as cidades.

Logicamente, Jackie Chan se tornou grande demais para ficar só na China, e conquistou os estados unidos em 1996, ano de lançamento do filme Arrebentando em Nova York. Nele, Jackie vivia um imigrante chinês em solo americano, que se via às voltas com uma violenta gangue de arruaceiros que ameaçava a loja de sua prima.

O filme foi um grande sucesso e abriu as portas para que, anos mais tarde, ele participasse de sua série de filmes mais famosa em território norte-americano: A Hora do Rush, que pode ter um quarto filme muito em breve.

Apesar de seu enorme sucesso nos Estados Unidos, Jackie já comentou várias vezes em entrevistas que gosta mesmo é de fazer filmes em Hong Kong e na China, onde tem muito mais liberdade criativa do que quando trabalha em grandes estúdios Hollywoodianos. De fato, ele costuma aplicar boa parte do lucro de seus filmes ocidentais em produções orientais de seu interesse.

Além de não usar dublês e de gostar de fazer as pessoas rirem, seus filmes tem mais uma marca registrada: ao final da aventura, quando sobem os créditos, são exibidas várias cenas com os erros de gravação, o que torna tudo ainda mais divertido e prende o público até não sobrar mais nem um segundo sequer de projeção.

Além de atuar, Jackie Chan também é produtor, coreógrafo, roteirista, diretor e também cantor, quase sempre performando as músicas-tema de seus filmes na China. Ele também é muito famoso por seu engajamento em muitas causas sociais, em especial o combate à fome, a pobreza e a mortalidade infantil.

Através da Jackie Chan Charitable Foundation, o ator costuma repassar quantias milionárias para instituições de caridade, como a UNICEF e a Cruz Vermelha. Ela também financia bolsas de estudo acadêmicas e artísticas para crianças em estado de pobreza e também para atores e dublês que, como ele, sofreram lesões durante as filmagens de seus filmes.

Com mais de 100 filmes em seu currículo, seus fãs costumam entrar em discussões sobre qual seria o melhor de todos. O próprio Jackie Chan responde essa pergunta: para ele, Drunken Master II é sua obra-prima e o filme mais divertido que já fez em sua vida.

Hoje, aos 65 anos, Jackie Chan diz que não quer parar de fazer filmes tão cedo, e que quando chegar a hora de se aposentar das cenas de ação, ele continuará envolvido com o cinema, seja dirigindo, produzindo ou roteirizando.

Nós, fãs do trabalho e da pessoa de Jackie Chan, fazemos coro ao ator e esperamos que ele continue na ativa por muito tempo. Afinal, alguém como ele, que consegue nos fazer rir até em meio a um combate ferrenho, merece todo o nosso carinho e torcida. Vida longa à bola de bala de canhão!

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sobre o autor Raphael Martins

Já fui um pouco de tudo: apresentador de TV, repórter, roteirista e hoje sou redator nesse noblário site. Gosto de longas caminhadas na praia, HQs, games, tokusatsu, cinema e filé com fritas. Você pode trocar uma ideia comigo e me ver reclamar da vida no Twitter @aqueleraphael