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Mortal Kombat – Fatalities nos 8 bits!

- – Simples, mas sangrento!

Por Raphael Martins → Em 1992, chegava aos arcades Mortal Kombat, o violento game de luta que resistiu ao teste do tempo e se transformou em uma das franquias mais tradicionais dessa mídia. Com personagens feitos a partir de pessoas reais e a possibilidade de arrancar sangue e matar seus adversários da forma mais escabrosa possível, o jogo explodiu em popularidade no mundo inteiro.

Em pouco tempo, havia vários produtos derivados do game, de bonequinhos a histórias em quadrinhos. Logicamente, as versões para os consoles de mesa não demorariam a chegar. No ano seguinte, uma avalanche de ports chegaram para quase todas as máquinas caseiras existentes, até para o Master System, que nunca fez sucesso nos Estados Unidos, e o Game Boy, o portátil em preto e branco da Nintendo. E é sobre estas versões mais simples que vamos falar hoje.

Scorpion torra Liu Kang: os 8 bits também tinham Fatalities

A versão de Master System saiu apenas no Brasil e na Europa, mas a de Game Gear, que é basicamente a mesma coisa, foi lançada nos Estados Unidos. De diferente mesmo, só o tamanho dos personagens, que eram menores no Master, e logo eram mais bem definidos.

Semelhante à versão para Mega Drive, a primeira tela tem todo um texto sobre um código misterioso, mas ela não está lá só por estar. Nela, o jogador insere um código para liberar o sangue e os fatalities no game, algo que deu muito certo no Mega e fez as vendas do jogo dispararem na frente em relação às do Super Nintendo, que não tinha uma gota de sangue sequer.

Mas logo na tela de personagens, dá pra perceber logo de cara que muita coisa ficou faltando aqui. Kano não está entre os personagens selecionáveis, o background foi substituído por um fundo preto e os sprites dos personagens não aparecem quando se coloca o cursor sobre eles. Todas essas concessões foram necessárias para fazer um jogo como esse caber na memória do cartuchinho do Master, um console ultrapassado há muitos anos até para a época.

A tela de seleção de personagens: tá faltando coisa aí

Como o controle do Master e o Game Gear só tem 2 botões, só existe uma única variação de soco e de chute, sem a opção de soco fraco ou chute fraco. Mas até aí tudo bem. O problema mesmo é a jogabilidade “dura”, uma compensação pelos sprites detalhados demais para o padrão dessas máquinas, cuja capacidade gráfica é bem limitada. O mesmo vale para os movimentos dos personagens, que nem de longe tem a fluidez das versões mais poderosas do game. E isso torna a experiência toda bem mais difícil.

Alguns golpes especiais e fatalities tem comandos completamente diferentes das versões de arcade e 16 bits, o que pode frustrar quem está acostumado a jogar essas versões e quer dar uma chance a esse. Realizar esses movimentos também não é nada fácil: é preciso dar uma pequena pausa entre um botão e outro, e não dá pra saber quanto tempo é, o jogador tem que “sentir” quando é a hora certa. Isso manda toda a emoção de um combate rápido e dinâmico que o jogo tinha originalmente para o espaço.

O jogo só tem 2 cenários, The Pit e Goro’s Lair. Todo o resto está faltando, assim como o duelo secreto contra Reptile, também para fazer o jogo caber na memória limitada dos carts de Master e Game Gear. As poucas músicas também são adaptações do jogo do arcade, mas também dá para ouvir remixes de músicas que só tem na versão para PC, que é uma das melhores, diga-se de passagem. Ainda assim, o jogo não chega a ser um desastre, e vale a pena dar uma conferida por curiosidade.

Já do lado da Nintendo, o NES foi o único console da época que não recebeu nenhuma conversão do game. Não oficialmente, pelo menos, já que existiram diversas versões piratas para ele. Mas apesar de já haver uma versão para o Super Nintendo, bastante criticada pela falta de sangue, a empresa não esqueceu o Game Boy, que também teve um Mortal Kombat para chamar de seu.

Mas a experiência de se jogar um game como esse na telinha do portátil beira o intragável. O port para o Game Boy sofre dos mesmos problemas do de Master System e Game Gear, mas com o agravante de que é tudo em preto e branco, não tem sangue e nem fatalities, os sons e músicas mais parecem ruídos e o jogo inteiro é ainda mais lento e travado que nos aparelhos de 8 bits da Sega.

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Se você é um fã da série, vale a pena dar uma conferida por curiosidade. Ambos são uma boa lembrança de uma época diferente, onde não existia uma preocupação tão grande com a qualidade das conversões para sistemas tão diferentes, contanto que o jogo em questão estivesse no máximo de aparelhos possíveis e rendesse mais dinheiro para a desenvolvedora.

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sobre o autor Raphael Martins

Já fui um pouco de tudo: apresentador de TV, repórter, roteirista e hoje sou redator nesse noblário site. Gosto de longas caminhadas na praia, HQs, games, tokusatsu, cinema e filé com fritas. Você pode trocar uma ideia comigo e me ver reclamar da vida no Twitter @aqueleraphael