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Não se envergonhe por gostar do que gosta!

- – E nem finja ser o que não é!

Por Raphael Martins → Vamos ser sinceros por um momento: alguma vez na sua vida você já escondeu que gosta de alguma coisa pra ser melhor aceito pela sua família ou na sua rodinha de amigos? Essa resposta pode variar bastante dependendo de quantos anos você tem, quem são seus amigos, onde você estuda ou o que quer fazer da sua vida. E se sua resposta for “não”, parabéns, você está no caminho certo ou teve muita sorte. Mas nem todo mundo está pronto pra assumir seus essa parte de sua personalidade.

Vivemos num tempo onde ser nerd ou geek é algo bem aceito pela sociedade. A TV está cheia de séries de super-heróis, que também dominam as maiores bilheterias do cinema. Alguns dos maiores influenciadores digitais do mundo são o que são por falarem de games, séries ou filmes na internet. Eventos como a Comic Con Experience, que acontece em São Paulo uma vez por ano desde 2014, atraem milhares de pessoas e rendem uma quantidade de dinheiro inacreditável. Mas não era bem assim há uns 20 anos atrás, mais ou menos.

Sabem aquelas cenas de filme americano, onde o mocinho ou a mocinha com jeitinho de nerd sofre aquela perseguição básica, ou até mais agressiva mesmo, de ser jogado na lata do lixo ou de ser tratado feito um idiota pelos verdadeiros idiotas? Então, isso realmente acontecia. Pode não ter acontecido com você – e eu realmente espero que não – mas acontecia. Sim, no passado. Isso deu uma diminuída drástica nos últimos anos, felizmente, mas o bullying… o bullying sempre encontra outras formas de existir.

Se antes o preconceito era na escola, agora é na internet. Aí estão os fãs de K-Pop que não me deixam mentir. Essa é uma modalidade bem antiga de bullying, na verdade. Nos anos 90, a galera pegava no pé de quem curtia Backstreet Boys ou Nsync. Hoje é o BTS ou o Shinee, boy bands vindas da Coréia do Sul cujo sucesso transcendeu a barreira da distância e da língua e alcançou até mesmo o mercado fonográfico mainstream. Alguns podem argumentar que “isso é coisa de garotinhas adolescentes”, mas mesmo elas, que supostamente estariam na faixa etária “aceitável” para gostar disso tem que ouvir algumas coisas desagradáveis na internet.

Falando em faixa etária… existe uma idade certa para gostar do que você quer gostar? Há realmente algum problema em ser fã de algo cujo público não são as pessoas da sua idade? Eu prefiro pensar que não, embora a sociedade como um todo ofereça uma certa resistência a isso, classificando tal coisa como “fora do normal”. Experimente ser um homem hétero na casa dos 30 anos e falar do quanto você curtiu Frozen com a sua roda de amigos também homens e héteros no barzinho, pra você ver. Com medo do que pode vir daí, muita gente prefere ficar calada e não se abrir, escondendo seu “poder de luta”, como costumam dizer ao se confessarem anonimamente na rede.

Os fãs de K-Pop são o mais novo alvo do cyber-bullying. Se o fã em questão for do sexo masculino, então…

É essa pressão feita pela sociedade que impede que algumas pessoas vivam em mais harmonia consigo mesmas. Esconder seus gostos também é esconder parte de você, quem você é. E algumas sociedades são mais repressoras que outras. O Japão, por exemplo, tem uma das sociedades mais controladoras e opressoras do mundo, apesar de exportar animes e mangás com mensagens bem diferentes disso. Lá, ser um “otaku”, um aficionado por esse tipo de coisa, não é visto com bons olhos pela maioria da população, podendo custar os amigos ou até mesmo o emprego. Não faz muito sentido, se você parar pra pensar.

Um bom exemplo do que acontece no Japão pode ser visto em Tokusatsu GaGaGa, um dorama que estreou recentemente em terras nipônicas. Ele conta a história de Kano Nakamura, uma jovem adulta que trabalha em um escritório e que secretamente é apaixonada por séries tokusatsu, aquelas com heróis japoneses coloridos, efeitos especiais e monstros. Ela vive sua vida a partir dos valores que aprendeu nessas séries, mas eles não são o suficiente para que ela tenha coragem de declarar seu amor por esse tipo de coisa. Assim, ela vive uma vida secreta, escondida da família e dos amigos, que acham que gostar desse tipo de coisa na idade dela é anormal e esquisito e que talvez até não a aceitassem do jeito que ela é caso descobrissem. Por causa disso, ela se envolve em mil confusões, enquanto as pessoas em torno dela, que nada sabem sobre seu hobby secreto, tentam fazer ela se enturmar mais.

Koshiba Fuka como Nakamura Kano em Tokusatsu GaGaGa: escondendo uma parte importante de sua personalidade por medo

Não seria muito mais fácil se ela pudesse simplesmente parar de se esconder e gostasse do que quer gostar sem sentir vergonha disso? É claro. Mas fazer a coisa certa nunca é fácil, especialmente quando as pessoas ao seu redor te desencorajam. O Japão está cheio de Kanos Nakamura, e não se muda uma sociedade inteira do dia pra noite, mas também não se encontra equilíbrio na vida se escondendo. E se sentir bem consigo mesmo, encontrar paz de espírito, deveria ser mais importante que qualquer outra coisa.

Já dizia a canção: o importante é ser você, mesmo que seja bizarro. Se dê uma chance, e mais importante, dê uma chance aos outros. É assim que se muda as coisas, um passo, um comentário positivo, um encorajamento de cada vez.

Confira nossa galeria de fotos de Tokusatsu GaGaGa:

Agora que a notícia acabou, aproveita para conferir o vídeo mais novo no nosso canal!

sobre o autor Raphael Martins

Já fui um pouco de tudo: apresentador de TV, repórter, roteirista, mas hoje sou redator nesse distinto e noblário site com muito orgulho. Gosto de longas caminhadas na praia, HQs, games, tokusatsu, cinema e filé com fritas. Você pode trocar uma ideia comigo e me ver reclamar da vida no Twitter @aqueleraphael