Capa da Publicação

O Sexto Sentido: os 20 anos do sopro de originalidade de M. Night Syamalan!

- – “Eu vejo gente morta!”

Por Evandro Lira O final da década de 1990, mais precisamente o ano de 1999, foi um dos mais frutíferos para o cinema. Diversos filmes originais chegaram às salas naquele ano, e entre eles, estava O Sexto Sentido, um filme pequeno, um drama com uma pegada sobrenatural, dirigido por um cineasta praticamente desconhecido.

O longa, que estava orçado em modestos 40 milhões de dólares, estreava logo após outro grande sucesso daquele ano, A Bruxa de Blair, e para a surpresa de todos, acabou se tornando o segundo filme de maior arrecadação de 1999, faturando 672 milhões de dólares, ficando apenas atrás de Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, com 1,027 bilhão de dólares.

Antes de se tornar um dos filmes de terror mais bem sucedidos de todos os tempos, O Sexto Sentido era apenas um roteiro na gaveta de um jovem M. Night Shyamalan, cujos créditos em Hollywood se resumiam a uma comédia chamada “Olhos Abertos” e ao roteiro do filme “para família” O Pequeno Stuart Little.

Na época, Shyamalan estava disposto a encontrar um estúdio que topasse produzir e distribuir seu filme pelo preço de no mínimo 1 milhão de dólares e com a condição de que ele assumiria o cargo de diretor. Diversas empresas demonstraram interesse, mas foi a Disney quem apostou muito mais alto e adquiriu os direitos de O Sexto Sentido.

Bruce Willis foi o único grande nome do elenco, mas aquele papel fugia totalmente do seu arquétipo de herói de filme de ação. Seu personagem agora era um pacato psicólogo infantil se recuperando do trauma de ter sido baleado por um ex-paciente, que havia se suicidado em seguida. Na trama, Malcom (Willis) começa a trabalhar com Cole (Haley Joel Osment), um garoto que alega ver e falar com fantasmas, fazendo com que o psicólogo se dedique ao caso na esperança de retificar sua falha no passado, já que seu paciente morto parecia ter sofrido nas mesmas condições que Cole.

Apesar da obra ter sido muito bem recebida pela crítica, que aclamou a performance do elenco e a reviravolta do roteiro, foi o boca-a-boca que fez do filme um tremendo sucesso entre o público. Muito se falava sobre a grande revelação final, e ainda que a cultura de spoilers praticamente não existisse na época, muita gente apenas mencionava que o filme deveria ser visto o quanto antes.

Segundo o especialista em histórias de horror e ficção científica, Scott Essman, as pessoas que realmente foram surpreendidas pela conclusão do filme voltaram para entender de que maneira elas conseguiram ser enganadas por tanto tempo. “Ele puxa o seu tapete, você pensa que é uma história sobre um personagem e o filme é realmente sobre esse outro personagem”, disse Essman ao The Hollywood Reporter.

Dificilmente alguém vinte anos depois desconhece o grande plot twist de O Sexto Sentido, que é considerada por muitos a maior reviravolta da história do cinema. O psicólogo vivido por Bruce Willis na verdade estava morto o tempo todo, e embora haja pistas para isso ao longo do filme, o espectador está tão imerso nas dinâmicas dos personagens e na atmosfera da história que dificilmente se atenta para isso.

Esse elemento costuma funcionar tão bem que, inclusive, se tornou uma marca dos filmes seguintes de M. Night Shyamalan, ainda que ele nem sempre tenha sido tão bem sucedido ao utilizá-lo.

Seis meses após o lançamento, O Sexto Sentido adentrou à corrida do Oscar, conseguindo seis indicações ao prêmio, incluindo Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Ator Coadjuvante para Haley Joel Osment e Atriz Coadjuvante para Toni Collette, que viveu a mãe de Cole.

Em 2019, O Sexto Sentido completa 20 anos e continua sendo um dos filmes de terror mais relevantes do cinema. Colocou o nome de M. Night Shyamalan no mapa e é um dos 6 filmes do gênero indicados ao Oscar de Melhor Filme (junto com O Exorcista, Tubarão, O Silêncio dos Inocentes, Cisne Negro e Corra!), além de ter sido um grande sopro de originalidade para o cinema de horror, inspirando vários filmes de suspense e com tema sobrenatural que vieram nos anos seguintes.

Veja também:

Imagem de perfil
sobre o autor Evandro Lira

Bacharel em Cinema e Audiovisual, potterhead das antiga, filho dos filhos do átomo, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira