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Os 30 anos de Batman, primeiro filme do herói dirigido por Tim Burton!

- – O filme ajudou a estabelecer o cinema de super-heróis!

Por Evandro Lira Quando se trata de cinema de super-heróis, o subgênero mais rentável nos dias de hoje, alguns títulos bem atuais se sobressaem na nossa mente. Porém, existe algumas obras que ficaram há muito no passado – mais precisamente há 30 anos – que foram a base deste cinema. E hoje, vamos nos debruçar sobre Batman, filme de Tim Burton, que completa três décadas em 2019, e que sem dúvida, causou um impacto impressionante na indústria.

O longa precede de uma baixa da popularidade do Batman, que no final da década de 70 ainda era visto por muitos como a galhofa da série de TV dos anos 60. Os produtores Benjamin Melniker e Michael E. Uslan estavam decididos a fazer uma limpeza na imagem do herói e compraram os direitos de adaptação da DC Comics, afirmando que iriam produzir a versão definitiva e séria do personagem. No entanto, os estúdios não estavam dispostos a dar uma chance.

Foi preciso que a Warner Bros., a empresa por trás do sucesso de Superman, apostasse no projeto, dando assim o aval para que a produção começasse. O primeiro roteiro do filme foi escrito por Tom Mankiewicz em 1983 e passou por diversos novos tratamentos, com vários outros roteiristas sendo anexados ao trabalho. Por fim, nove versões de Batman já haviam sido escritas e nada havia ficado do gosto do estúdio.

O direcionamento começou a acontecer quando As Grandes Aventuras de Pee-wee, longa de estreia de Tim Burton, fez um relativo sucesso de bilheteria, e a Warner decidiu dar a ele a direção de Batman. O filme foi reescrito outras tantas vezes, tomando como inspiração as HQs, O Cavaleiro das Trevas e A Piada Mortal.

“Eu nunca fui um fã gigante de histórias em quadrinhos, mas eu sempre amei a imagem do Batman e do Coringa”, contou Tim Burton no livro Burton to Burton. “A razão pela qual eu nunca fui fã – e eu acho que começou quando eu era criança – é porque eu nunca sabia qual caixinha eu deveria ler, não sei se era dislexia ou qualquer outra coisa, mas é por isso que eu amei A Piada Mortal, porque pela primeira vez eu poderia dizer qual meu quadrinho favorito. Era a primeira história em quadrinhos que eu já amei.”

A Warner Bros. deu a luz verde para o início das filmagens imediatamente após o lançamento de Os Fantasmas Se Divertem, aclamado longa de Tim Burton que o colocava como um dos cineastas a se ficar de olho em Hollywood.

Porém, o que veio depois da escalação do ator Michael Keaton, que havia estrelado Os Fantasmas se Divertem, é o que nos leva a observar uma das tendências mais evidentes que Batman trouxe para a nossa cultura. Na época, os fãs ficaram indignados com a escolha do ator, alegando que ele não tinha o perfil sério que o papel de Bruce Wayne exigia. Isso porque Keaton havia feito alguns filmes de comédia no seu currículo. Tínhamos ali acionado “o modo nerd indignado”, que passou a aparecer em todos os anos seguintes, quando as coisas não saiam conforme suas exigências. O maior exemplo recente disso é a escalação de Robert Pattinson como o próximo Batman dos cinemas, que gerou um gigantesco debate entre fãs que não aceitavam que o ator de Crepúsculo encarnaria uma nova versão do herói da sua infância.

Dá para afirmar que Batman estabeleceu várias outras tendências que hoje são típicas da indústria. Uma que vale ser mencionada é o fato do filme ter se assegurado principalmente de trazer a grande fanbase do herói para o cinema, numa época onde quase todos os blockbusters eram originais, como Tubarão, Star Wars, De Volta para o Futuro e Os Caça-Fantasmas. Não foi a produção que criou a “batmania”, apesar de tê-la aumentado consideravelmente. Era uma das primeiras mostras do blockbuster moderno, que se baseia em uma propriedade amplamente conhecida para ter um retorno garantido.

Para Burton, era necessário que o filme conversasse com a grande audiência pelo seu poder de entretenimento, mas ele também desejava discutir alguns temas sombrios e difíceis, como “a loucura”. Segundo o cineasta, esse é o principal mote do filme, a luta entre duas pessoas insanas: o Bruce Wayne de Michael Keaton e o icônico vilão do Batman, Coringa, vivido pela lenda do cinema, Jack Nicholson.

No verão americano de 1989, Batman estreava com US $ 40,49 milhões, e logo se tornou o filme a alcançar mais rapidamente a marca dos 100 milhões de dólares. Ao todo, o filme arrecadou cerca de 440 milhões de dólares, se destacando como a maior bilheteria daquele ano e a quinta maior de todos os tempos.

O longa recebeu críticas positivas por parte da imprensa especializada, que elogiaram a estética e tom imprimido por Tim Burton, e apesar das iniciais reações negativas dos fãs, a interpretação de Michael Keaton como Batman foi elogiada, embora quase todos concordassem que era Jack Nicholson quem roubava a cena.

No fim, o filme se provou um grande sucesso para a Warner Bros. Batman foi importante, por exemplo, para que o estúdio criasse o aclamado desenho Batman: A Série Animada, além de ter ajudado a fortalecer o gênero que dali alguns anos seria a força motriz de Hollywood. O filme originou três sequências, que apesar dos pesares, alavancaram a popularidade do Homem Morcego nos anos 90, e sem dúvida, foi imprescindível para as grandes franquias que se estabeleceriam no cinema blockbuster.

Trinta anos depois, é interessante olhar para o legado que Batman deixou para o mercado de cinema, servindo como um passo importante para que os adorados ícones das revistas em quadrinhos saíssem das páginas para se estabelecerem em carne e osso nas telas do cinema.

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sobre o autor Evandro Lira

Bacharel em Cinema e Audiovisual, potterhead das antiga, filho dos filhos do átomo, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira