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Street Fighter II – A surpreendente versão em 8 bits!

- – É do Brasil!

Por Raphael Martins Street Fighter II é um dos jogos de luta mais influentes de todos os tempos, servindo de inspiração para praticamente tudo o que veio depois dele por muitos anos e se tornando um dos pilares deste gênero.

O sucesso do game da Capcom foi tão grande que ele se tornou pequeno demais para ficar apenas nos Arcades, ganhando diversas versões caseiras com o passar dos anos. A de Super Nintendo em especial é a mais conhecida e vendeu muitas unidades do console quando foi lançada, em 1992.

Mas aqui no Brasil, onde as coisas normais nem sempre acontecem, existiu uma versão do jogo para o Master System, produzido inteiramente pela Tec Toy e com a autorização da Capcom. Mas como isso foi acontecer? E o jogo, pelo menos é bom?

O encarte do jogo: a Tec Toy se esforçou bastante para torná-lo uma realidade

Por mais incrível que isso possa parecer, Street Fighter II para Master System foi lançado em pleno 1997. Para vocês terem uma ideia, isso é 6 anos depois do lançamento do jogo para Arcade, consoles como Playstation, Nintendo 64 e Saturn dominavam o mercado e até mesmo a onda do jogo já havia passado há muito tempo. Street Fighter Alpha 1 e 2 já haviam sido lançados, assim como Street Fighter III, na época o mais novo jogo da série.

Mas como a Capcom permitiu que um de seus maiores sucessos fosse portado para o Master System, um console que nunca havia feito sucesso na maioria dos países em que foi lançado e que já estava morto e enterrado há muitos anos? Bem, essa é uma história engraçada.

Representantes da Tec Toy se reuniram com executivos da Capcom e lhes mostraram o jogo, dizendo que se tratava de uma nova versão para Mega Drive. Como era de se esperar, a empresa japonesa achou o projeto muito “pobre” para os padrões do console de 16 bits, e quando já estava preparada para recusar o projeto, a Tec Toy tirou de baixo da mesa de reunião um Master System rodando o jogo. Os japoneses ficaram bastante impressionados, e após um pouco de convencimento, deixaram que a empresa brasileira continuasse tocando o projeto em paz.

A tela de seleção de personagens: teve gente que ficou de fora, mas não tinha outro jeito

Mas vamos ao jogo. Ao todo, ele tem oito lutadores: Ryu, Ken, Chun-Li, Blanka, Guile, Balrog, Sagat e Bison. Dhalsim, Zangief, Vega e Honda ficaram de fora por questões de limitação de espaço.

Na hora do combate, a primeira coisa que se nota é que não existem variações entre golpes fracos, médios e fortes. E nem poderia, uma vez que o controle do Master possui apenas dois botões, um para soco e um para chute. E nem adianta usar um controle de seis botões, isso não faria nenhuma diferença. No geral, isso não atrapalha em nada nas lutas, o problema mesmo é na hora de fazer magias.

Aqui, a combinação de “meia lua” com botões de ataque simplesmente não funciona. Para disparar o Hadouken, por exemplo, é preciso segurar o diagonal para baixo e apertar o botão de soco logo depois. Uma vez que se pega a manha, o jogo se torna um pouco mais agradável.

Também por razões de limitação de espaço, cada personagem tem apenas dois golpes especiais. Ryu e Ken, por exemplo, tem o Hadouken e o Tatsumaki Senpuukyaku, mas não tem o Shoryuken.

Blanka e Bison quebrando o pau no Master System

A movimentação dos personagens é bem rápida, o que deixa os combates bem dinâmicos. Os gráficos também estão de parabéns para os padrões do Master System, mostrando personagens em tamanho grande e cheios de detalhes.

Os cenários são um tanto quanto vazios, mas em compensação, eles são oito, um número impressionante se compararmos com outros games de luta do console. A versão para Master de Mortal Kombat, por exemplo, tinha apenas dois.

Na parte sonora, o que chama atenção é a presença de um narrador, que diz os nomes dos personagens, anuncia os rounds e o vencedor e dá a contagem regressiva antes do continue.

As musicas-tema de cada personagem também estão presentes em arranjos diferentes, mas facilmente reconhecíveis . Os personagens não gritam os nomes de seus golpes especiais, mas aí também já era pedir demais.

A Tec Toy e a embalagem do jogo alardearam que esse era o único cartucho de master a ter 8 megabits de memória, mas não é bem assim. A rom do jogo tem 800 kbytes, o que dá uns 6 megabits, mais ou menos. Ainda assim, é maior do que a grande maioria de títulos lançados para o Master, explorando as capacidades gráficas do aparelho até o limite.

Street Fighter II Para Master System só saiu no Brasil e hoje em dia é bem raro, sendo procurado por gente do mundo inteiro, dispostos a pagar um preço alto pra tê-lo em sua coleção. É um belo exemplo de um demake que deu certo, e se você é fã da franquia de luta, vai ver que o jogo não é de todo ruim, o esforço da Tec Toy para fazer algo legal fica bem claro.

Pode não chegar aos pés do original, mas com certeza vale a pena dar uma jogada por curiosidade. Você pode gostar dele mais do que imagina.

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sobre o autor Raphael Martins

Já fui um pouco de tudo: apresentador de TV, repórter, roteirista e hoje sou redator nesse noblário site. Gosto de longas caminhadas na praia, HQs, games, tokusatsu, cinema e filé com fritas. Você pode trocar uma ideia comigo e me ver reclamar da vida no Twitter @aqueleraphael