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The Big Bang Theory mudou sua vida, quer você goste ou não!

- – Devemos muito aos nerds da TV!

Por Raphael Martins → Depois de 12 anos sem parar e de quase 300 episódios, The Big Bang Theory está chegar ao fim. A décima segunda temporada, que está sendo exibida nos Estados Unidos desde setembro, será a última. Independente se você gosta ou não da série, dos personagens ou se estava ou não na hora de acabar, uma coisa é certa: nós devemos muito a Sheldon, Penny e companhia limitada.

Os protagonistas de The Big Bang Theory: você deve muito a eles e talvez nem saiba disso

Mas para compreender isso, precisamos voltar um pouquinho no tempo. Até 2007, para ser exato. O mundo era um lugar diferente. Celulares de flip como o Motorola V3 estavam na moda, sua internet tinha no máximo 1 mega de velocidade (o que era assustadoramente rápido para a época) e o Brasil parava para ver o final da novela Páginas da Vida. Mas esse mundo do passado era ainda mais diferente para nós, geeks acostumados a ver quase 10 filmes de super-heróis no cinema em um ano.

Em 2007, não existia Marvel Studios. O cinema ainda não havia abraçado a onda dos filmes de heróis e universos compartilhados. Tudo o que a gente tinha eram os filmes do Homem-Aranha do Sam Raimi, os X-Men de Bryan Singer e algumas tentativas de emplacar super-heróis no cinema. Na TV, só tinha Smallville e olhe lá. Embora começássemos a ganhar alguma força, nós não tínhamos muita representação na mídia mainstream. Não tinha nada que fizesse os nerds/geeks parecerem “legais” pra quem não fazia parte desse mundo.

Até The Big Bang Theory chegar.

Raj (Kunal Nayyar), Penny (Kaley Cuoco), Sheldon (Jim Parsons), Leonard (Johnny Galecki) e Howard (Simon Helberg): a formação original da 1ª temporada

A história do grupo de nerds que se envolve com Penny, a “garota normal”, pegou o mundo de surpresa. O que se esperava que fosse uma série zoando essa tribo por suas peculiaridades, como era de costume em produções desse tipo, se mostrou algo gostoso de se acompanhar, cheio de referências ao público mais geek sem excluir quem não era desse mundo. Penny era o próprio avatar do espectador “normie”, que assim como ela, entrava nesse mundo pela primeira vez e ia aos poucos se afeiçoando a ele, gostando cada vez mais do que via.

Quando The Big Bang Theory apresentou personagens parecidos com a gente, cada um a sua maneira, cada um com suas estranhices, seus conflitos e sua humanidade, as pessoas não-iniciadas nesse mundo foram começando a ver nos ver de uma maneira diferente, não apenas como crianças grandes ou gente alienada em seus mundinhos particulares (apesar de por várias vezes vezes os personagens serem retratados assim). Entrando no coração de tanta gente que nunca nem sequer leu uma HQ do Superman através do riso e do bom humor, eles fizeram essas pessoas sentirem empatia. Por eles e por nós.

De repente, ser nerd era legal, era a melhor coisa do mundo. Com o sucesso da série, a modinha da hora era “ser nerd”, por mais que a pessoa em questão não fosse. E estava tudo bem: quem perseguia a gente na escola agora queria ser legal como nós éramos, o que é uma mudança e tanto para quem até pouco tempo atrás queria enfiar nossa cabeça na lata do lixo. Quem diria… mudaríamos nossos inimigos naturais não na base da força, como era mostrado em filmes como A Vingança dos Nerds. Nós os mudamos pela empatia. A perseguição pode não ter acabado completamente e o bullying ainda é uma realidade, mas que deu uma reduzida drástica e mudou nossa vida pra melhor, ah, isso deu.

Penny (Kaley Cuoco): pelos olhos dela, o telespectador não-nerd aprendeu a nos enxergar de outra forma

Sheldon Cooper e sua turma fizeram a comunidade nerd se sentir representada no mainstream, fazendo o público além de rir, se unir. Em pouco tempo, a série era um enorme sucesso, e os excelentes índices de audiência fizeram os donos do canal CBS abrirem os olhos pra esse filão do mercado. Dessa maneira, eles descobriram o que a gente sempre soube: nerds enchem cofre. Nerds dão dinheiro. E aí começaram a aparecer mais e mais produções pra esse tipo de público, tanto no cinema quanto na TV.

E se foi o sucesso da série, o boca a boca sobre ela e a grana que ela rendia (e ainda rende) que de repente ajudou os figurões da Disney a se convencerem de dar uma chance ao Homem de Ferro no cinema, iniciando uma tendência de mercado que dura até hoje? E se a nossa era começou com Sheldon, Leonard, Penny e seus amigos? E se os nerds de fato dominaram o mundo, como foi há muito profetizado? Pode ter sido tudo por causa de The Big Bang Theory.

A formação atual: prontos para terminar uma história iniciada há 12 anos

Então se aquele descolado da sua sala aparecer vez por outra com uma camiseta do Lanterna Verde porque admira o que o personagem representa, mesmo que ele não faça a mínima ideia de quem diabos é Hal Jordan, são aos nerds da telinha que você deve agradecer.

Pra concluir, The Big Bang Theory pode ter ajudado mais do que você imagina a preparar terreno para dominação geek que hoje está aí, tão bem aceita e abraçada por todos. Mesmo que você não goste da série, ela merece pelo menos o seu respeito.

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sobre o autor Raphael Martins

Já fui um pouco de tudo: apresentador de TV, repórter, roteirista, mas hoje sou redator nesse distinto e noblário site com muito orgulho. Gosto de longas caminhadas na praia, HQs, games, tokusatsu, cinema e filé com fritas. Você pode trocar uma ideia comigo e me ver reclamar da vida no Twitter @aqueleraphael