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Turma da Mônica: Do Castelo do Dragão à Guarda dos Coelhos!

- – Uma história digna e que só continua a crescer, com o lançamento mais recente!

Por Felipe Vinha → Sejamos francos: Turma da Mônica sempre foi o maior exemplo de sucesso de quadrinho nacional que já tivemos. Formando gerações de leitores desde seu surgimento, até os dias mais atuais. Porém, tudo necessita de renovação neste mundo e, em 2007, isso aconteceu para os filhos de Mauricio de Sousa.

Foi neste ano que a editora Panini obteve os direitos de publicação da Turma da Mônica e fez uma verdadeira revolução para a linha. Lançou novos gibis, incluindo o enorme sucesso Turma da Mônica Jovem, atingiu novos públicos com a chegada das Graphic Novels para um público mais adulto e, ao lado da Mauricio de Sousa Produções, atingiu novas mídias – ou nem tem novas assim. Está mais para “velhas mídias amigas”.

Influenciado por todo um novo mercado dos gibis da Turma, o entretenimento tratou de gerar outros produtos com os personagens. Desenhos animados, um filme live action que está para sair e, claro, videogames.

Foi neste interim que saiu, no finalzinho de 2018, o game Mônica e a Guarda dos Coelhos. Produzido pela já conhecida Mad Mimic, empresa brasileira de desenvolvimento de jogos, o título ganhou as notícias por ser um lançamento inédito de videogame de personagens que não estavam nesta mídia há alguns anos – melhor ainda, pois o jogo viria não apenas para PC, mas também PS4, Xbox One e Switch. Quer coisa mais importante do que estar em todas as principais plataformas?

Além do retorno aguardado, Mônica e a Guarda dos Coelhos trouxe também uma outra tradição de volta: o fato de que um game da turminha é uma adaptação e outro. Neste caso, está tudo em casa, pois estamos falando de No Heroes Here, também da Mad Mimic, que você já deve ter lido nossa crítica a respeito, aqui.

E, justamente por serem games de ideias centrais tão próximas, este texto não é uma análise, mas sim um tipo de ensaio. Todos os elogios que estão em No Heroes Here valem para cá. Mas Turma da Mônica e a Guarda dos Coelhos tem uma enorme vantagem: a presença de personagens carismáticos e conhecidos do público. Qual brasileiro ou brasileira que, hoje, tem um videogame e não conhece a Turma da Mônica? Você pode não ser fã, mas desconhecer é outra história…

E conhecer a história faz parte de Mônica e a Guarda dos Coelhos. Como citamos, este não é o primeiro game da turminha e também não é o primeiro a seguir esta fórmula de adaptação. A história de Mônica nos games começou com Mônica no Castelo do Dragão, lançado lá em 1991, para Master System. Tratava-se, pois bem, de uma adaptação para Wonder Boy in Monster Land – mas nada de pirataria, pois era uma parceria autorizada e formalizada pela SEGA e Mauricio de Sousa Produções, envolvendo ainda a Tec Toy.

Mais tarde, veio a continuação, Turma da Mônica em O Resgate, também no Master System, adaptando o antigo Wonder Boy III: The Dragon’s Trap. Em seguida, Turma da Mônica na Terra dos Monstros, de 1994, para Mega Drive, seguindo o mesmo formato, desta vez adaptando Wonder Boy in Monster World. Assim como no anterior, este aqui pegava elementos de plataforma e aventura para adaptar os personagens  da Mônica, com um bom nível de diversão e gráficos, na medida do possível, bem interessantes.

Antes da Guarda dos Coelhos, porém, veio uma adaptação não-autorizada. Na verdade, não se trata de um lançamento comercial, mas sim de uma modificação do remake de Wonder Boy III: The Dragon’s Trap. O jogo saiu originalmente em 1989, para videogames antigos, mas ganhou um remake em alta definição em 2017. Fãs da Turma da Mônica foram lá e fizeram: recriaram o jogo antigo, com gráficos super limpos, modernos e parecia até um produto oficial – não desmerecendo os fãs, é óbvio.

O que temos, hoje, com Turma da Mônica e a Guarda dos Coelhos, não é apenas a continuidade desta tradição, mas também a contínua e renovada apresentação dos personagens a toda uma nova geração de jogadores e fãs. Por meio de seus joysticks e consoles, podem ter contato com o mundo criado pela MSP, e aqui também pela Mad Mimic, e o melhor: por meio de uma história original.

Sim, Mônica e a Guarda dos Coelhos pode ser uma adaptação de No Heroes Here, mas a produtora se esforçou para criar algo com bastante personalidade. O game se divide em pequenos arcos, que contam toda uma história no final. Novos personagens vão sendo liberados, entre carinhas conhecidas e outras nem tão lembradas assim pelo grande público – o que é ótimo, pois demonstra o cuidado da produção.

É verdade que o jogo carece de multiplayer online, mas este foi um ponto que foi tão criticado em No Heroes Here, que talvez seja melhor mesmo, desta vez, limitar ao bom e velho “modo cooperativo de sofá”, junto com amigos presentes, cada um com seu controle, ao seu lado.

Afinal, Turma da Mônica sempre existiu para criar lembranças boas de infância, que, a propósito, não têm problema algum em se tornar lembranças boas da fase adulta também. Para quem, como este que lhes escreve, está na casa dos seus 30 e poucos anos, ver este histórico de jogos não é só especial, mas também gratificante, pois mostra que a turminha continua na ativa, mandando bem e sempre se renovando. Vida longa à nossa dona do bairro!

Fique com imagens de Mônica e a Guarda dos Coelhos:

Agora que a notícia acabou, aproveita para conferir o vídeo mais novo no nosso canal!

sobre o autor Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha